Nosso principal objetivo é analisar, a partir de uma interpretação explanatório-causal da teoria aristotélica da demonstração científica, se o projeto de uma ciência do ser enquanto ser, proposto por Aristóteles na Metafísica (Met.), é compatível com o modelo de ciência demonstrativa encontrado nos Segundos Analíticos (APo.). Mais especificamente, a questão sobre a qual nos debruçamos neste artigo é: o projeto de ciência do ser enquanto ser desenvolvido na Met. (IV.1-4 e VI.1-2) pode ser tomado …
Read moreNosso principal objetivo é analisar, a partir de uma interpretação explanatório-causal da teoria aristotélica da demonstração científica, se o projeto de uma ciência do ser enquanto ser, proposto por Aristóteles na Metafísica (Met.), é compatível com o modelo de ciência demonstrativa encontrado nos Segundos Analíticos (APo.). Mais especificamente, a questão sobre a qual nos debruçamos neste artigo é: o projeto de ciência do ser enquanto ser desenvolvido na Met. (IV.1-4 e VI.1-2) pode ser tomado como uma ciência demonstrativa, em conformidade com o modelo explanatório-causal de ciência demonstrativa desenvolvido nos APo. (I.2, 6, 9, 13 e II.1-2)? Dividimos o artigo em duas partes principais. A primeira parte apresenta os princípios do modelo de ciência demonstrativa dos APo., especialmente os conceitos de necessidade explanatória e de concomitância, que são particularmente fundamentais para a interpretação explanatório-causal. A segunda parte explora o método, o escopo e o propósito da ciência do ser enquanto ser, em contraste com outras disciplinas que também lidam com os princípios cujo conhecimento cabe a ela, como, por exemplo, as as ciências particulares, bem como a sofística e a dialética. Também discutimos brevemente, ao final da segunda parte do artigo, interpretações concorrentes à aqui proposta, e sugerimos uma possibilidade de contornar um dos problemas relativos a uma interpretação compatibilista entre o modelo de ciência demonstrativa e a ciência do ser enquanto ser de Aristóteles.