Neste artigo, originalmente escrito em 2019, abordamos o conceito de identidade pessoal, de Derek Parfit, por meio do experimento mental do teletransporte aplicado à edição genética de embriões com síndrome de Down. Parfit propõe que o teletransporte, no momento em que destrói o original e produz uma duplicata, não preserva a identidade numérica. Similarmente, sugerimos que a terapia gênica através da edição genética ao substituir o material deficiente de um embrião, geraria um novo indivíduo. D…
Read moreNeste artigo, originalmente escrito em 2019, abordamos o conceito de identidade pessoal, de Derek Parfit, por meio do experimento mental do teletransporte aplicado à edição genética de embriões com síndrome de Down. Parfit propõe que o teletransporte, no momento em que destrói o original e produz uma duplicata, não preserva a identidade numérica. Similarmente, sugerimos que a terapia gênica através da edição genética ao substituir o material deficiente de um embrião, geraria um novo indivíduo. Desse modo, elaboramos uma situação hipotética para sustentar que essa intervenção romperia com a continuidade física e psicológica do indivíduo original, i.e., haveria duas pessoas, uma antes e outra após a “morte” da primeira. Em contrapartida, analisamos a ideia de que a edição genética não causaria danos ao indivíduo, pois os zigotos não possuem identidade numérica no início. A partir disso, discutimos as implicações éticas e morais. Concluímos favoravelmente à hipótese de descontinuidade pessoal em contextos análogos ao da terapia gênica em embriões com trissomia 21.