Os recentes avanços em inteligência artificial (IA) alimentaram um debate vigoroso sobre o futuro do trabalho — um debate repleto de previsões quantitativas acerca dos empregos ameaçados pela IA, assim como de comparações consequencialistas entre os custos e benefícios antecipados da automação. Neste artigo, porém, examino se a Abordagem de Capacidades (AC), tal como originalmente desenvolvida por Amartya Sen e Martha Nussbaum, pode contribuir para esse debate sobre o futuro do trabalho e, em ca…
Read moreOs recentes avanços em inteligência artificial (IA) alimentaram um debate vigoroso sobre o futuro do trabalho — um debate repleto de previsões quantitativas acerca dos empregos ameaçados pela IA, assim como de comparações consequencialistas entre os custos e benefícios antecipados da automação. Neste artigo, porém, examino se a Abordagem de Capacidades (AC), tal como originalmente desenvolvida por Amartya Sen e Martha Nussbaum, pode contribuir para esse debate sobre o futuro do trabalho e, em caso afirmativo, considero a forma que tal contribuição poderia assumir. Proponho um paradigma da Abordagem de Capacidades, centrado no florescimento humano, para o futuro do trabalho, orientado a moldar a automação impulsionada por IA de modo a ampliar a capacidade dos cidadãos para o trabalho e o lazer, bem como expandir de forma mais ampla a sua liberdade. Defendo esse novo paradigma contra possíveis objeções e concluo avaliando suas diferenças em relação aos paradigmas preditivos e consequencialistas predominantes na literatura. Por fim, apresento recomendações para a pesquisa, políticas públicas e aplicações práticas. Palavras-chave: Abordagem de Capacidade. Futuro do trabalho. Automação. Inteligência Artificial. Florescimento humano.