O interpretativismo pode ser visto como o compromisso filosófico fundamental de Ronald Dworkin. Ele fornece a base para todas as suas visões teóricas: da filosofia do direito à filosofia moral, da ética à filosofia política, da teoria da verdade à filosofia em geral. Mas quão plausível é o interpretativismo? Nesta tese, argumento que nem um pouco; e que, por isso, faríamos bem em rejeitá-lo. Por meio da ideia de interpretação, Dworkin pretende explicar a possibilidade de objetividade e verdade e…
Read moreO interpretativismo pode ser visto como o compromisso filosófico fundamental de Ronald Dworkin. Ele fornece a base para todas as suas visões teóricas: da filosofia do direito à filosofia moral, da ética à filosofia política, da teoria da verdade à filosofia em geral. Mas quão plausível é o interpretativismo? Nesta tese, argumento que nem um pouco; e que, por isso, faríamos bem em rejeitá-lo. Por meio da ideia de interpretação, Dworkin pretende explicar a possibilidade de objetividade e verdade em uma ampla gama de domínios. Sendo mais exato, sua tese é a de que tudo aquilo que não seja estritamente científico faz parte de um único grande domínio: o interpretativo que, ao lado da ciência, em suas palavras, integra um dualismo abrangente do entendimento. Com isso, ficamos sabendo que são interpretativas não apenas as atividades de interpretação literária ou jurídica, mas a própria teoria do direito, a filosofia moral e política, o bem-viver e a filosofia como um todo; dignidade, coragem, verdade, honra e sentido da vida. Dei o nome de imperialismo interpretativo a essa visão: por meio de uma ideia expansionista de interpretação, Dworkin deseja explicar a possibilidade da verdade e os desacordos que ocorrem no interior de toda uma série de departamentos que não são, ao contrário do que Dworkin diz, interpretativos. Meu objetivo é articular uma crítica a essa visão, ao mesmo tempo em que examino seu caráter, suas ambições e extensões teóricas como um todo. Essencialmente, defendo a tese de que o interpretativismo não é capaz, como pretende, de garantir a verdade e explicar nossos desacordos em quaisquer desses domínios. Isso ocorre, em primeiro lugar, simplesmente porque tais domínios não são, de fato, interpretativos. Em segundo lugar, pois seu recurso básico a ideia de atribuição de propósito fracassa. Terceiro, pois sua exortação é a de que devemos nos ater ao nosso tricô, com o que Dworkin quer dizer: a rejeição da investigação externa, de segunda ordem, ou, para resumir, a reflexão metafísica. Eu penso, ao contrário, que a filosofia não deve ser informada por tal abordagem: essa é uma visão teórica inaceitável, que apenas obscurece, em vez de esclarecer, nossa compreensão filosófica. O interpretativismo, eu proponho, deve ser desafiado e rejeitado.