O presente artigo tem por objetivo estabelecer uma comparação entre o gênio maligno cartesiano e um dos preceitos mais fundamentais do ceticismo pirrônico: a equipolência (isostheneia). Deixando em segundo plano a investigação histórica relativa às fontes cartesianas no que diz respeito ao ceticismo – mas considerando a diferenciação entre ceticismo pirrônico e acadêmico, e a apropriação feita por Descartes dessas duas tradições –, busca-se traçar um paralelo entre o papel desempenhado pelo gêni…
Read moreO presente artigo tem por objetivo estabelecer uma comparação entre o gênio maligno cartesiano e um dos preceitos mais fundamentais do ceticismo pirrônico: a equipolência (isostheneia). Deixando em segundo plano a investigação histórica relativa às fontes cartesianas no que diz respeito ao ceticismo – mas considerando a diferenciação entre ceticismo pirrônico e acadêmico, e a apropriação feita por Descartes dessas duas tradições –, busca-se traçar um paralelo entre o papel desempenhado pelo gênio maligno nas Meditações e a equipolência pirrônica. Para tanto, realiza-se um contraponto à noção de probabilidade (pithanon), fundamental para o ceticismo acadêmico. Dessa forma, intenta-se oferecer uma perspectiva sobre o gênio maligno que não o considera um ponto de distanciamento entre Descartes e o ceticismo, mas o estabelece como um ponto de convergência. Essa interpretação é fundamentada, sobretudo, nos conceitos de equipolência, suspensão do juízo (epoché) e probabilidade.