Resumo: A partir da leitura heideggeriana do livro Θ da Metafísica de Aristóteles, este artigo examina como a δύναμις (dýnamis) plenamente presente mesmo sem ἐνέργεια (enérgeia) fundamenta uma fixação ontológica que, mais tarde instrumentalizada pelo colonialismo e pelo capitalismo, sustenta um “império transcendental” capaz de capturar os entes assim fixados. Em oposição, afirma-se o “ser” — derivado de um verbo copulativo sem conteúdo próprio — como vazio de característica e ação. Elevado a pr…
Read moreResumo: A partir da leitura heideggeriana do livro Θ da Metafísica de Aristóteles, este artigo examina como a δύναμις (dýnamis) plenamente presente mesmo sem ἐνέργεια (enérgeia) fundamenta uma fixação ontológica que, mais tarde instrumentalizada pelo colonialismo e pelo capitalismo, sustenta um “império transcendental” capaz de capturar os entes assim fixados. Em oposição, afirma-se o “ser” — derivado de um verbo copulativo sem conteúdo próprio — como vazio de característica e ação. Elevado a princípio transcendental, esse vazio atua simultaneamente como condição imanente das relações, à maneira da “diferença” em Deleuze, e como espaço propiciatório para liberar a multiplicidade dos modos de existência, recusando a cosmofobia e o fascismo cósmico implicados na ontologia da presença.
Abstract: Drawing on Heidegger’s reading of Book Θ of Aristotle’s Metaphysics, this paper examines how δύναμις (dýnamis)—fully present even without ἐνέργεια (enérgeia)—grounds an ontological fixation that, later instrumentalized by colonialism
and capitalism, sustains a "transcendental empire" capable of capturing beings thus fixed. In opposition, "being"—derived from a copulative verb with no content of its own—is affirmed as devoid of characteristics and action. Elevated to a transcendental principle, this void simultaneously operates as an immanent condition of relations, in the manner of Deleuze’s "difference," and as a propitiatory space for releasing the multiplicity of modes of existence, rejecting the cosmophobia and cosmic fascism implicated in the ontology of presence.