Tradicionalmente, considera-se que Émilie Du Châtelet ofereceu um fundamento metafísico para física nas suas Institutions Physiques. Essa interpretação vem sendo contestada em estudos recentes e, no seu lugar, uma abordagem epistêmica tem sido desenvolvida. Não se recusa que a física de Du Châtelet requeira compromissos metafísicos, mas se defende que eles não são fundamentais. Sua principal preocupação seria o método, que constituiria o verdadeiro fundamento da física. Sustento que seus comprom…
Read moreTradicionalmente, considera-se que Émilie Du Châtelet ofereceu um fundamento metafísico para física nas suas Institutions Physiques. Essa interpretação vem sendo contestada em estudos recentes e, no seu lugar, uma abordagem epistêmica tem sido desenvolvida. Não se recusa que a física de Du Châtelet requeira compromissos metafísicos, mas se defende que eles não são fundamentais. Sua principal preocupação seria o método, que constituiria o verdadeiro fundamento da física. Sustento que seus compromissos metafísicos são intrínsecos à sua posição, pois a objetividade a que ela aspira depende do reconhecimento de que os princípios do nosso conhecimento derivam dos princípios da realidade. Para isso, apresento uma análise dos seus princípios de contradição e razão suficiente que indica que eles devem ser considerados, primeiramente, como princípios ontológicos. Enquanto tais, eles fornecem uma base para afirmar que este é o melhor dos mundos possíveis e, portanto, que ele é racionalmente constituído. Sendo racionalmente constituído, as regras de raciocínio são apropriadas para descobrir a verdade.