O artigo examina a duradoura influência que Agostinho de Hipona exerceu na obra de Martin Heidegger. No volume 60 da Gesamtausgabe heideggeriana (intitulado Fenomenologia da Vida Religiosa), o filósofo alemão trata do conceito agostiniano de Curare em articulação com os fenômenos da memoria e da tentatio, presentes na obra Confissões. Para Heidegger, os escritos de Agostinho servem como material hermenêutico para demonstrar como o surgimento de uma cosmovisão cristã, fundamentada no Curare, forn…
Read moreO artigo examina a duradoura influência que Agostinho de Hipona exerceu na obra de Martin Heidegger. No volume 60 da Gesamtausgabe heideggeriana (intitulado Fenomenologia da Vida Religiosa), o filósofo alemão trata do conceito agostiniano de Curare em articulação com os fenômenos da memoria e da tentatio, presentes na obra Confissões. Para Heidegger, os escritos de Agostinho servem como material hermenêutico para demonstrar como o surgimento de uma cosmovisão cristã, fundamentada no Curare, fornece uma imagem que permitirá a Heidegger operar a formulação do ‘cuidado’ (Sorge) enquanto existencial da presença (Dasein). Portanto, o intuito do artigo é demonstrar como o conceito de Curare serve como protótipo para o que, mais tarde, Heidegger denomina de Sorge em Sein und Zeit.