•  32
    Temos como objetivo demonstrar que os marcado-res coloniais de dominação e alienação possuem, em seu cerne, raízes perversas, utilizando-nos de referenciais psicanalíticos encontrados nos estudos sobre perversão e narcisismo, e sobre gênero, raça e sexualidade. Argumentamos, fundamentalmente, que a cis-heteroendossexualidade, em âmbito institucional, organiza-se por meio de mecanismos de defesa típicos da perversão, entre os quais destacamos a recusa em reconhecer a nomeação de si. Ou seja, para…Read more
  •  22
    Pode-se traduzir um monstro? Com esse questionamento iniciamos este breve ensaio, na esperança não de respondê-lo, mas imaginá-lo. Ao reivindicar seu direito a ser um monstro, a poeta trans sudaca Susy Shock parece questionar um ideal de humanidade promulgado pelo humanismo e pelos ideais da antropologia evolucionista, que estabelece a figura do Humano como suprassumo da civilização. Traduzir um monstro, então, não seria possível. Se a língua humana almeja a totalidade – traduzir tudo –,línguas …Read more
  •  27
    Transfeminismos posthumanistas
    Estudios Posthumanos 1 (8): 70-99. 2026.
    ¿Se puede pensar en un transfeminismo posthumanista? ¿Sería redundante asociar el transfeminismo con el posthumanismo? En el marco de los debates sobre los feminismos posthumanistas (Bhattacharjee, 2024), movilizamos referencias del posthumanismo (Balcarce, 2020; Wolfe, 2020; Braidotti, 2015, 2020), del transfeminismo (Koyama, 2020; Feinberg, 1992; Vergueiro, 2015; Sullivan, 1996) y de estudios sobre transmasculinidades (De Moura, 2021; Peçanha, Jesus, Monteiro, 2023) para cuestionar las conexio…Read more
  •  56
    Este ensaio se dedica a marcar as relações entre dois conceitos: pacto narcísico da cisgeneridade e ofensa da nomeação. Ao observarmos as comuns reações de rejeição do termo “cisgeneridade”, sua designação como não-científico, percebemos a manutenção de um pacto narcísico. Ao nos apresentar ao pacto da branquitude, Cida Bento percebe como a branquitude se protege, por vias institucionais, de sua fragilidade. Percebemos, em espaços acadêmicos, de onde emergem as categorias diagnósticas sobre os c…Read more
  •  99
    Das ilhas da desesperação aos arquipélagos das certezas, esse ensaio é uma costura. Recorremos à literatura, a asserções psicanalíticas acerca da formação do eu, e às tramas sobre a nomeação do animal e do humano. Se temos como vislumbre – terra nunca à vista! – escrever sobre monstruosidades, continuamente nos esforçamos para que nossa escrita mergulhe naquilo mesmo sobre o qual nos propomos a escrever. De certa forma, desejamos desviar de asserções lógicas e nos aproximar da produção de afetaç…Read more
  •  140
    Monstrofilia necrossexual: o desejo filial tanatológico por corpos ꜵbjetos
    Revista Brasileira de Estudos da Homocultura 8 (23): 1-24. 2025.
    Seja na ficção científica, nas mitologias, seja na materialidade da estigmatização de indivíduos monstrificados, a monstruosidade sempre ocupou um lugar liminar: nem fora nem dentro, mas sempre ao alcance do humano. Dialogando com estudiosos das teorias da monstruosidade, das teorias feministas e dos pensamentos contracoloniais, busco, nas páginas que se seguem, compreender os significados dos monstros para a reiteração da humanidade do Eu, em oposição à monstruosidade dos Outros. As reflexões q…Read more
  •  178
    Desacordos monstruosos: sobre monstruosidades, desacordos profundos e transgressões de gênero
    Associação Brasileira da Trans-Homocultura 1 (1): 455-472. 2025.
    Com esse breve ensaio, pretendemos mobilizar dois conceitos direcionadores de nossas pesquisas: desacordo profundo, inicialmente pensado por Robert Fogelin em seu artigo A Lógica dos Desacordos Profundos (1985), publicado na revista Informal Logic e traduzido a língua portuguesa em 2025; e a noção de monstruosidades que encontramos em diversos estudos, tais como no poema Yo Monstruo Mio, de Susy Shock, e no discurso Eu sou o monstro que vos fala, que Paul Preciado proferiu em 2019 na Escola da …Read more
  •  171
    Na presente pesquisa, busco mostrar como pessoas com inscrições corporais contranormativas são atravessadas pelas colonialidades do ser, do poder e do saber, de maneira que sofram, conforme seus respectivos marcadores sociais, os impactos de uma colonialidade corporal, isto é, de violências sociais, institucionais, políticas e de diferentes segmentos que se voltem à imagem corporal no que concerne às inscrições realizadas por sob sua superfície. Há uma série de inscrições corporais realizadas na…Read more
  •  112
    Uma Abordagem Decolonial Sobre a Prática De Inscrições Corporais Na Modernidade/Colonialidade
    Revista de Estudos Anarquistas e Decoloniais 2 (2): 57-93. 2022.
    Este artigo almeja analisar como a concepção moderna sobre as práticas de modificação e inscrição corporais se relacionam com as colonialidades do ser, do saber e do poder. Argumentamos que a patologização e a criminalização de inscrições corporais é um componente fundamental da noção moderna de um corpo ideal, como também das normatizações que permeiam as colonialidades atualmente. O argumento central do artigo é que a patologização, a criminalização e o controle institucional das práticas de m…Read more
  •  100
    Neste artigo, temos como objetivo relacionar dois conceitos de teorias dissonantes, porém em constante diálogo: o conceito de Corpo sem Órgãos (CsO), desenvolvido pela esquizoanálise, e o conceito de princípio do nirvana, desenvolvido pela psicanálise. O CsO é compreendido como uma ruptura com a produção social, com a codificação global dos fluxos de desejo; em suma, como uma constante revolta. Compreende-se o princípio do nirvana como o retorno a um estado de constância, sem interferências do m…Read more
  •  102
    A metamorfose como mecanismo de emancipação
    Tapuia 2 (3): 5-26. 2024.
    Neste artigo, tenho como objetivo pôr em diálogo três obras principais, entrecruzadas também com o referencial teórico da esquizoanálise, dos estudos contra-coloniais e dos estudos libertários. Tais obras são A vegetariana, de Han Kang (2016) e A metamorfose, de Franz Kafka (1997). A fim de analisar a ideia de metamorfose, a compreendo a partir do conceito esquizoanalítico de devir, elucubrando sobre o devir-árvore e o devir-animal, encontrados nas referidas obras literárias. Pensada em consonân…Read more
  •  94
    O pacto cisgênero da recusa: da negação de si à nomeação do Outro
    Seminário Internacional Fazendo Gênero 13 1 (13): 1-10. 2024.
    A emergência do transfeminismo no Brasil é responsável grandemente pela introdução e divulgação do conceito de cisgeneridade em movimentos sociais, espaços artísticos e acadêmicos. Observamos, contudo, que as reações ao conceito comumente tomam a forma de negação, rejeição do termo, e percebemos que tal negação constitui-se como característica de um pacto narcísico. Almejamos, nesta comunicação, elaborar sobre a noção de pacto narcísico da cisgeneridade. Ao compreendermos, com Cida Bento, que a …Read more
  •  92
    Quando pessoas transmasculinas se autodeterminam e nomeiam as violências que sofrem, percebe-se uma reatividade de movimentos cisfeministas e transfeministas, repreendendo nossas narrativas e atribuindo às transmasculinidades o caráter opressivo da masculinidade hegemônica colonial. Seja na nomeação das transmasculinidades enquanto categorias identitárias, seja na nomeação das violências que sofrem, evidencia-se o seguinte movimento: a legitimação das transmasculinidades enquanto identidades e v…Read more
  •  96
    Com o título do artigo indica, busco questionar a universalidade do conceito de humanidade a partir da concepção de monstruosidade, tão próxima à de animalidade. Ao contrário de como a humanidade se apresenta, esta não configura universalidade, mas sim universalização, perpetuando a desumanização de corporalidades que não espelham os ideais da modernidade. A estes corpos, atribui-se a figura do monstro, que legitima a humanidade do Eu colonial. Categorias como o Animal e a Outridade surgem para …Read more
  •  145
    Cisgeneridade perversa: o pacto narcísico da negação de si
    with Alexandra de Gouvêa Vianna
    Revista Brasileira de Estudos da Homocultura 8 (17667): 7-29. 2025.
    Este artigo tem como objetivo identificar e denunciar, à luz da psicanálise, o que denominamos de pacto narcísico da cisgeneridade. Tal como Maria Aparecida Bento elabora o conceito de pacto narcísico com relação às dinâmicas raciais da branquitude, pretendemos elaborá-lo com relação às dinâmicas da cisgeneridade. Tendo a teoria psicanalítica como teoria de base, busca-se argumentar que a cisgeneridade opera conforme mecanismos de defesa que garantem estabilidade e segurança subjetiva à cisgener…Read more
  •  109
    Neste artigo, busco compreender a relação entre o conceito de humanidade, cunhado por discursos modernos e coloniais, e a ideia de monstruosidade, compreendida, aqui, como seu antagonismo. As figuras do monstro e do humano, tal qual da besta e do soberano ou do Outro e do Sujeito, existem em cenários de distribuição de violências, em que a morte do monstro/besta/Outro reitera a dominância do humano/soberano/Sujeito. Todavia, não é somente a morte do monstro que compõe esta dinâmica, como também,…Read more
  •  76
    Neste artigo, temos como objetivo evidenciar o papel da axiomática do capital, conceito desenvolvido por Gilles Deleuze e Félix Guattari, na tecnobiopolítica da era farmacopornográfica, apresentada por Paul Preciado. Unindo estas duas perspectivas teóricas, buscamos compreender como o desejo é produzido midiática e biomolecularmente, por meio de modelizações globais de processos de codificação. Temos como foco central os estudos de gênero, na medida em que, como o diz Judith Butler, a leitura ge…Read more
  •  105
    A monstrofilia da soberania: um ensaio sobre violência e desejo
    Ensaios Filosóficos 1 (31): 131-146. 2025.
    Neste artigo, busco tecer uma análise da relação entre a violência e o desejo a partir da figura do monstro, compreendida aqui como uma ficção política. Dialogando com os pensamentos de Jacques Derrida, Paul Preciado, Grada Kilomba, Achille Mbembe, Judith Butler, dentre outros, busco desenvolver o conceito de monstrofilia para investigar como corpos monstrificados, isto é, considerados monstruosos-corpos não-brancos, trans, intersexo, com deficiência, imigrantes, dissidentes etc.-são simultaneam…Read more
  •  99
    O referido ensaio traz a obra As vinhas da ira, de John Steinbeck, para pensar sobre duas ideias: matilhamentos nomádicos e phyla animaquínicos. Steinbeck narra a violência da modernização nas primeiras décadas do século XX em contexto norte-americano, que resulta na expulsão de fazendeiros e agricultores de suas terras, destruindo suas formas de vida (Lebensform) e obrigando-os a emigrar. Os tratores surgem como máquinas destruidoras e os bancos como fantasmas intocáveis. Neste cenário de expul…Read more
  •  75
    O conceito de ser humano se institui não pela afirmação, mas pela negação da humanidade. Privando o outro de humanidade, este é transformado em Outro, contrastando com a Mesmidade do Homem com “h” maiúsculo, como escreve Derrida. Neste artigo, tenho como objetivo questionar a categoria de humanidade tal como nos foi apresentada por ideais humanistas e colonialistas, tendo como analisador o personagem David da franquia cinematográfica Alien. A perspectiva de David não é em suma a de uma inteligên…Read more
  •  87
    O presente artigo busca analisar as figuras da besta e do soberano apresentadas pelo filósofo Jacques Derrida, a partir das obras literárias e cinematográficas de "Robinson Crusoé" e "A Ilha do Doutor Moreau". Almeja-se discutir como a dominação humana se afirma pela bestialização do Outro, explorando fronteiras entre o humano, o animal e o que se considera bestial. Crusoé e Moreau representam soberanos que impõem e são a Lei, enquanto Sexta-feira e os Homens-Animais tensionam a dominação da sob…Read more
  •  231
    Neste artigo, temos como objetivo analisar os processos de estigmatização e patologização aos quais determinados grupos de inscrições corporais foram submetidos ao longo da história da sociedade ocidental moderna. Compreende-se como inscrições corporais todas e quaisquer modificações realizadas sobre a superfície corporal. Enquanto algumas inscrições são exaltadas e enaltecidas, outras são estigmatizadas e alvo de discriminação social. Temos como lente teórica a filosofia anarquista, no intuito …Read more
  •  323
    O monstrolinguismo da boca
    Rede Brasileira de Filósofes Trans. 2025.
    “Alguém já disse que casamento é uma vidraça pedindo tijolo”, declara Julia Serrano, personagem do romance Como Esquecer – anotações quase inglesas, da escritora brasileira Myriam Campello. Em meio ao luto que sucede sua separação, Julia se defronta com os anos de matrimônio, a relação conjugal, os contratos de aluguel e as contas pagas – o retrato de um passado que persiste como um espectro. Nada disso foi suficiente para comportar a materialidade do outro, sua organicidade – vivemos sempre à m…Read more
  •  18
    Em defesa do corpo anarquizado: uma crítica à corponormatividade
    Editora Devires (Cutucando o Cu do Cânone: Materi): 21-38. 2025.
    Almejamos, neste breve ensaio, desenvolver a noção de corponormatividade como uma crítica à normatividade de gênero - englobando a cisgeneridade, a heterossexualidade e a endossexualidade - e à estigmatização de inscrições corporais, à naturalização de uma norma corporal institucionalmente reificada, que se orienta para a anulação da diferença. Compreendemos que o estabelecimento de uma norma corporal é sintoma da modernidade/colonialidade, garantida pelas instituições modernas e reproduzida cot…Read more
  •  472
    Eu sou o monstro que vos escuta
    with Cello Pfeil and Nicolas Pustilnick
    Ayvu 10 (1): 1-19. 2023.
    Ao enunciar “eu sou o monstro que vos fala”, Preciado colocou a psicanálise contra a parede, desafiando suas premissas e a naturalização de certas categorias. Preciado se colocou como o corpo analisado, diagnosticado e patologizado pela psicanálise e pelos saberes psi como um todo, e enfrentou o tradicionalismo psicanalítico, os discursos médicos e psiquiátricos que sustentam a ciência moderna. A partir disso, podemos compreender o lugar que o sujeito trans e gênero dissidente ocupa para os sabe…Read more
  •  254
    Almejamos, no presente artigo, compreender como ocorre a inferiorização de certas inscrições corporais, em detrimento da naturalização de outras, e em relação a marcadores de gênero, raça e normatividade. Partimos da hipótese de que o saber moderno institucionalizado produz patologização e criminalização de certas inscrições corporais, e tomamos como ferramenta de análise as modificações corporais realizadas por pessoas trans. Argumentamos que, ao afrontarmos a corponormatividade, ao demonstrar…Read more