-
66Das ilhas da desesperação aos arquipélagos das certezas: Desacordos, bestas e o Eu-peleRede Brasileira de Filósofes Trans 1 (1): 49-70. 2026.Das ilhas da desesperação aos arquipélagos das certezas, esse ensaio é uma costura. Recorremos à literatura, a asserções psicanalíticas acerca da formação do eu, e às tramas sobre a nomeação do animal e do humano. Se temos como vislumbre – terra nunca à vista! – escrever sobre monstruosidades, continuamente nos esforçamos para que nossa escrita mergulhe naquilo mesmo sobre o qual nos propomos a escrever. De certa forma, desejamos desviar de asserções lógicas e nos aproximar da produção de afetaç…Read more
-
93Monstrofilia necrossexual: o desejo filial tanatológico por corpos ꜵbjetosRevista Brasileira de Estudos da Homocultura 8 (23): 1-24. 2025.Seja na ficção científica, nas mitologias, seja na materialidade da estigmatização de indivíduos monstrificados, a monstruosidade sempre ocupou um lugar liminar: nem fora nem dentro, mas sempre ao alcance do humano. Dialogando com estudiosos das teorias da monstruosidade, das teorias feministas e dos pensamentos contracoloniais, busco, nas páginas que se seguem, compreender os significados dos monstros para a reiteração da humanidade do Eu, em oposição à monstruosidade dos Outros. As reflexões q…Read more
-
132Desacordos monstruosos: sobre monstruosidades, desacordos profundos e transgressões de gêneroAssociação Brasileira da Trans-Homocultura 1 (1): 455-472. 2025.Com esse breve ensaio, pretendemos mobilizar dois conceitos direcionadores de nossas pesquisas: desacordo profundo, inicialmente pensado por Robert Fogelin em seu artigo A Lógica dos Desacordos Profundos (1985), publicado na revista Informal Logic e traduzido a língua portuguesa em 2025; e a noção de monstruosidades que encontramos em diversos estudos, tais como no poema Yo Monstruo Mio, de Susy Shock, e no discurso Eu sou o monstro que vos fala, que Paul Preciado proferiu em 2019 na Escola da …Read more
-
105Em defesa do bizarro: reflexões contra-coloniais e libertárias sobre a demonização, a patologização e a criminalização de inscrições corporaisDissertation, Federal University of Rio de Janeiro. 2023.Na presente pesquisa, busco mostrar como pessoas com inscrições corporais contranormativas são atravessadas pelas colonialidades do ser, do poder e do saber, de maneira que sofram, conforme seus respectivos marcadores sociais, os impactos de uma colonialidade corporal, isto é, de violências sociais, institucionais, políticas e de diferentes segmentos que se voltem à imagem corporal no que concerne às inscrições realizadas por sob sua superfície. Há uma série de inscrições corporais realizadas na…Read more
-
79Uma Abordagem Decolonial Sobre a Prática De Inscrições Corporais Na Modernidade/ColonialidadeRevista de Estudos Anarquistas e Decoloniais 2 (2): 57-93. 2022.Este artigo almeja analisar como a concepção moderna sobre as práticas de modificação e inscrição corporais se relacionam com as colonialidades do ser, do saber e do poder. Argumentamos que a patologização e a criminalização de inscrições corporais é um componente fundamental da noção moderna de um corpo ideal, como também das normatizações que permeiam as colonialidades atualmente. O argumento central do artigo é que a patologização, a criminalização e o controle institucional das práticas de m…Read more
-
84Do Corpo sem Órgãos ao princípio do Nirvana: reflexões esquizoanalíticas sobre a finitude e o desejoItaca 1 (39): 89-114. 2023.Neste artigo, temos como objetivo relacionar dois conceitos de teorias dissonantes, porém em constante diálogo: o conceito de Corpo sem Órgãos (CsO), desenvolvido pela esquizoanálise, e o conceito de princípio do nirvana, desenvolvido pela psicanálise. O CsO é compreendido como uma ruptura com a produção social, com a codificação global dos fluxos de desejo; em suma, como uma constante revolta. Compreende-se o princípio do nirvana como o retorno a um estado de constância, sem interferências do m…Read more
-
78A metamorfose como mecanismo de emancipaçãoTapuia 2 (3): 5-26. 2024.Neste artigo, tenho como objetivo pôr em diálogo três obras principais, entrecruzadas também com o referencial teórico da esquizoanálise, dos estudos contra-coloniais e dos estudos libertários. Tais obras são A vegetariana, de Han Kang (2016) e A metamorfose, de Franz Kafka (1997). A fim de analisar a ideia de metamorfose, a compreendo a partir do conceito esquizoanalítico de devir, elucubrando sobre o devir-árvore e o devir-animal, encontrados nas referidas obras literárias. Pensada em consonân…Read more
-
71O pacto cisgênero da recusa: da negação de si à nomeação do OutroSeminário Internacional Fazendo Gênero 13 1 (13): 1-10. 2024.A emergência do transfeminismo no Brasil é responsável grandemente pela introdução e divulgação do conceito de cisgeneridade em movimentos sociais, espaços artísticos e acadêmicos. Observamos, contudo, que as reações ao conceito comumente tomam a forma de negação, rejeição do termo, e percebemos que tal negação constitui-se como característica de um pacto narcísico. Almejamos, nesta comunicação, elaborar sobre a noção de pacto narcísico da cisgeneridade. Ao compreendermos, com Cida Bento, que a …Read more
-
65Seria eu um Homem?: investigações decoloniais sobre os percalços das transmaculinidades nos feminismosAnômalas 4 (1): 120-141. 2024.Quando pessoas transmasculinas se autodeterminam e nomeiam as violências que sofrem, percebe-se uma reatividade de movimentos cisfeministas e transfeministas, repreendendo nossas narrativas e atribuindo às transmasculinidades o caráter opressivo da masculinidade hegemônica colonial. Seja na nomeação das transmasculinidades enquanto categorias identitárias, seja na nomeação das violências que sofrem, evidencia-se o seguinte movimento: a legitimação das transmasculinidades enquanto identidades e v…Read more
-
75Divagações quiméricas sobre os limites do humano: uma ode à monstruosidadeE-Cadernos CES 1 (41): 213-238. 2024.Com o título do artigo indica, busco questionar a universalidade do conceito de humanidade a partir da concepção de monstruosidade, tão próxima à de animalidade. Ao contrário de como a humanidade se apresenta, esta não configura universalidade, mas sim universalização, perpetuando a desumanização de corporalidades que não espelham os ideais da modernidade. A estes corpos, atribui-se a figura do monstro, que legitima a humanidade do Eu colonial. Categorias como o Animal e a Outridade surgem para …Read more
-
112Cisgeneridade perversa: o pacto narcísico da negação de siRevista Brasileira de Estudos da Homocultura 8 (17667): 7-29. 2025.Este artigo tem como objetivo identificar e denunciar, à luz da psicanálise, o que denominamos de pacto narcísico da cisgeneridade. Tal como Maria Aparecida Bento elabora o conceito de pacto narcísico com relação às dinâmicas raciais da branquitude, pretendemos elaborá-lo com relação às dinâmicas da cisgeneridade. Tendo a teoria psicanalítica como teoria de base, busca-se argumentar que a cisgeneridade opera conforme mecanismos de defesa que garantem estabilidade e segurança subjetiva à cisgener…Read more
-
79O gozo da violência: monstruosidades e humanidades entre a morte e o desejoPólemos 13 (28): 84-115. 2024.Neste artigo, busco compreender a relação entre o conceito de humanidade, cunhado por discursos modernos e coloniais, e a ideia de monstruosidade, compreendida, aqui, como seu antagonismo. As figuras do monstro e do humano, tal qual da besta e do soberano ou do Outro e do Sujeito, existem em cenários de distribuição de violências, em que a morte do monstro/besta/Outro reitera a dominância do humano/soberano/Sujeito. Todavia, não é somente a morte do monstro que compõe esta dinâmica, como também,…Read more
-
56A axiomática da generificação: investigações esquizoanalíticas sobre a feminização dos corpos na era farmacopornográficaEspaço Acadêmico 25 (248): 54-66. 2025.Neste artigo, temos como objetivo evidenciar o papel da axiomática do capital, conceito desenvolvido por Gilles Deleuze e Félix Guattari, na tecnobiopolítica da era farmacopornográfica, apresentada por Paul Preciado. Unindo estas duas perspectivas teóricas, buscamos compreender como o desejo é produzido midiática e biomolecularmente, por meio de modelizações globais de processos de codificação. Temos como foco central os estudos de gênero, na medida em que, como o diz Judith Butler, a leitura ge…Read more
-
81A monstrofilia da soberania: um ensaio sobre violência e desejoEnsaios Filosóficos 1 (31): 131-146. 2025.Neste artigo, busco tecer uma análise da relação entre a violência e o desejo a partir da figura do monstro, compreendida aqui como uma ficção política. Dialogando com os pensamentos de Jacques Derrida, Paul Preciado, Grada Kilomba, Achille Mbembe, Judith Butler, dentre outros, busco desenvolver o conceito de monstrofilia para investigar como corpos monstrificados, isto é, considerados monstruosos-corpos não-brancos, trans, intersexo, com deficiência, imigrantes, dissidentes etc.-são simultaneam…Read more
-
80Animaquinismo: a revolta contra a maquinização da vida na literatura de John SteinbeckItaca 1 (44): 116-127. 2025.O referido ensaio traz a obra As vinhas da ira, de John Steinbeck, para pensar sobre duas ideias: matilhamentos nomádicos e phyla animaquínicos. Steinbeck narra a violência da modernização nas primeiras décadas do século XX em contexto norte-americano, que resulta na expulsão de fazendeiros e agricultores de suas terras, destruindo suas formas de vida (Lebensform) e obrigando-os a emigrar. Os tratores surgem como máquinas destruidoras e os bancos como fantasmas intocáveis. Neste cenário de expul…Read more
-
60E se o robô responder?: Androides, humanos e provocações ciborguianasItaca 1 (41): 95-119. 2024.O conceito de ser humano se institui não pela afirmação, mas pela negação da humanidade. Privando o outro de humanidade, este é transformado em Outro, contrastando com a Mesmidade do Homem com “h” maiúsculo, como escreve Derrida. Neste artigo, tenho como objetivo questionar a categoria de humanidade tal como nos foi apresentada por ideais humanistas e colonialistas, tendo como analisador o personagem David da franquia cinematográfica Alien. A perspectiva de David não é em suma a de uma inteligên…Read more
-
74As ilhas da desesperação: Um ensaio sobre a besta e a soberania a partir de Dr. Moreau e Robinson CrusoéInstauratio Magna 5 (1): 1-30. 2026.O presente artigo busca analisar as figuras da besta e do soberano apresentadas pelo filósofo Jacques Derrida, a partir das obras literárias e cinematográficas de "Robinson Crusoé" e "A Ilha do Doutor Moreau". Almeja-se discutir como a dominação humana se afirma pela bestialização do Outro, explorando fronteiras entre o humano, o animal e o que se considera bestial. Crusoé e Moreau representam soberanos que impõem e são a Lei, enquanto Sexta-feira e os Homens-Animais tensionam a dominação da sob…Read more
-
238Sobre a normatização do corpo moderno: uma breve análise da patologização da transexualidade e de inscrições corporaisRevista de Estudos Anarquistas e Decoloniais 3 (4): 124-147. 2023.Almejamos, no presente artigo, compreender como ocorre a inferiorização de certas inscrições corporais, em detrimento da naturalização de outras, e em relação a marcadores de gênero, raça e normatividade. Partimos da hipótese de que o saber moderno institucionalizado produz patologização e criminalização de certas inscrições corporais, e tomamos como ferramenta de análise as modificações corporais realizadas por pessoas trans. Argumentamos que, ao afrontarmos a corponormatividade, ao demonstrar…Read more
-
215Uma análise histórica anarquista das inscrições corporais na sociedade ocidental modernaRevista História Em Reflexão 18 (35): 62-84. 2024.Neste artigo, temos como objetivo analisar os processos de estigmatização e patologização aos quais determinados grupos de inscrições corporais foram submetidos ao longo da história da sociedade ocidental moderna. Compreende-se como inscrições corporais todas e quaisquer modificações realizadas sobre a superfície corporal. Enquanto algumas inscrições são exaltadas e enaltecidas, outras são estigmatizadas e alvo de discriminação social. Temos como lente teórica a filosofia anarquista, no intuito …Read more
-
284O monstrolinguismo da bocaRede Brasileira de Filósofes Trans. 2025.“Alguém já disse que casamento é uma vidraça pedindo tijolo”, declara Julia Serrano, personagem do romance Como Esquecer – anotações quase inglesas, da escritora brasileira Myriam Campello. Em meio ao luto que sucede sua separação, Julia se defronta com os anos de matrimônio, a relação conjugal, os contratos de aluguel e as contas pagas – o retrato de um passado que persiste como um espectro. Nada disso foi suficiente para comportar a materialidade do outro, sua organicidade – vivemos sempre à m…Read more
-
14Em defesa do corpo anarquizado: uma crítica à corponormatividadeEditora Devires (Cutucando o Cu do Cânone: Materi): 21-38. 2025.Almejamos, neste breve ensaio, desenvolver a noção de corponormatividade como uma crítica à normatividade de gênero - englobando a cisgeneridade, a heterossexualidade e a endossexualidade - e à estigmatização de inscrições corporais, à naturalização de uma norma corporal institucionalmente reificada, que se orienta para a anulação da diferença. Compreendemos que o estabelecimento de uma norma corporal é sintoma da modernidade/colonialidade, garantida pelas instituições modernas e reproduzida cot…Read more
-
427Eu sou o monstro que vos escutaAyvu 10 (1): 1-19. 2023.Ao enunciar “eu sou o monstro que vos fala”, Preciado colocou a psicanálise contra a parede, desafiando suas premissas e a naturalização de certas categorias. Preciado se colocou como o corpo analisado, diagnosticado e patologizado pela psicanálise e pelos saberes psi como um todo, e enfrentou o tradicionalismo psicanalítico, os discursos médicos e psiquiátricos que sustentam a ciência moderna. A partir disso, podemos compreender o lugar que o sujeito trans e gênero dissidente ocupa para os sabe…Read more
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil